Por Caroline Borja 

A homeopatia é, desde 1980, uma das especialidades médicas reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina. O que conhecemos por alopatia é a integração de cerca de cinqüenta especialidades, entre elas cardiologia, ginecologia, neurologia, pediatria, etc. Por essa razão, a alopatia é também chamada de “medicina das especialidades”.

De fato, a homeopatia é uma medicina holística, isto é, que trata o indivíduo como um todo, o que dispensaria a necessidade de ramificá-la em especialidades. Aos olhos da homeopatia, a alopatia é reducionista, uma vez que estaria reduzindo o paciente a um sistema cardiovascular ou respiratório ou gastrointestinal…

A literatura exibe diversos estudos científicos que buscam comprovar a eficácia da homeopatia. Esses estudos, porém, são freqüentemente criticados e questionados em seus métodos e resultados. Um exemplo clássico é o artigo publicado na Revista do Hospital das Clínicas – intitulado “Uma revisão crítica da literatura relativa aos possíveis benefícios da medicina homeopática” – por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro. No artigo, os autores concluem que “como resultado das pesquisas realizadas nos últimos anos, podemos concluir que existe ampla evidência de que a prática homeopática não é cientificamente justificável”.

Conclusões como essa são muito comuns quando se levam em conta estudos em que a eficácia de um dado medicamento é avaliada em grupos de pacientes – é o método alopático, que busca o medicamento coletivamente eficaz. Entretanto, em suas bases, a homeopatia se propõe a tratar cada paciente de modo individual, utilizando geralmente medicamentos diferentes para enfermidades iguais. O que determina a escolha do medicamento é a individualidade de cada paciente e suas características como um todo (corpo e mente). Sob essa ótica, torna-se inviável comprovar a eficácia da homeopatia em grupos de pacientes em que a individualidade não é um dos critérios analisados.

Para muitos homeopatas, submeter a homeopatia aos métodos da alopatia é descaracterizá-la e, por isso, a análise de sua eficácia deveria se limitar à observação empírica – que é aquela baseada na experiência –, à observação da evolução de cada paciente tratado pelo médico homeopata com medicamento homeopático. Afinal, ao assumir-se como empírica em razão do tratamento individual, a homeopatia seria resguardada de boa parte das críticas ferozes da corrente alopata radical que usa como argumento a falta de comprovação científica.